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A Rede dos Sonhos Hotéis Fazenda acaba de conquistar um dos mais importantes reconhecimentos de sua história na área de acessibilidade. No dia 14 de setembro de 2026, a Rede foi reconhecida entre as 15 iniciativas de maior destaque em Boas Práticas de Turismo Inclusivo do Estado de São Paulo, durante cerimônia realizada no Centro TEA Paulista, na capital.

Os Diretores da Rede dos Sonhos Jaqueline Franco e José Fernandes Franco.

O reconhecimento é resultado de uma iniciativa da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, a EACH-USP. O projeto teve como objetivo identificar, analisar e divulgar práticas capazes de ampliar a participação de pessoas com deficiência e de grupos com necessidades específicas no turismo.

A dimensão dessa conquista pode ser compreendida pelos números. Foram mapeadas 308 iniciativas públicas e privadas em todo o Estado de São Paulo. Desse universo, 70 avançaram para a etapa final e apenas 15 receberam o reconhecimento de maior destaque.

Certificado de reconhecimento de Boas prátias no Turismo.

A avaliação foi além da existência de rampas, adaptações arquitetônicas ou equipamentos acessíveis. Entre os critérios analisados estiveram a abrangência das soluções, o alcance junto ao público, a participação de pessoas com deficiência e pessoas idosas, a qualificação das equipes, a disponibilidade de informações acessíveis, a continuidade das ações, a possibilidade de replicação das soluções, a inovação e a capacidade de inspirar outros agentes do turismo.

Foi nesse cenário que a Rede dos Sonhos, de Socorro, conquistou seu lugar entre as 15 iniciativas reconhecidas.

Cerimônia de premiação.

A cobertura da premiação destacou especificamente o pioneirismo da Rede na adaptação de equipamentos e atividades de ecoturismo e turismo de aventura rural, demonstrando que experiências de aventura podem ser realizadas por diferentes públicos quando acessibilidade, criatividade, conhecimento técnico e segurança são pensados conjuntamente.

O reconhecimento ganha ainda mais relevância quando observamos as demais iniciativas selecionadas. A lista reúne importantes equipamentos e projetos paulistas, como Museu do Ipiranga, Museu do Futebol, Pinacoteca de São Paulo, Sabina Escola Parque do Conhecimento, Festa da Uva e ExpoVinho de Jundiaí, Programa Praia Acessível de Caraguatatuba, além de projetos desenvolvidos em São Paulo, São Bernardo do Campo, Holambra, Tupã, Bertioga e São Sebastião.

Para a Rede dos Sonhos, porém, a conquista de 2026 representa muito mais do que o reconhecimento de uma iniciativa recente.

Ela é resultado de uma história que começou a ser construída há mais de duas décadas.

Em 2005, Campo dos Sonhos e Parque dos Sonhos participaram do projeto Aventureiros Especiais, desenvolvido em Socorro com apoio do Ministério do Turismo e participação da ONG Aventura Especial, Prefeitura Municipal e empresas do turismo local.

Rafting Adaptado no Parque dos Sonhos – Foto do acervo da Rede dos Sonhos.

Naquele momento existia um desafio muito maior do que simplesmente tornar prédios acessíveis. Era necessário descobrir como proporcionar experiências de turismo de aventura para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida de maneira segura e confortável.

Socorro tornou-se um verdadeiro campo de desenvolvimento dessas soluções.

Uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de diferentes áreas participou dos estudos e oficinas técnicas. Entre os desafios estava desenvolver equipamentos específicos para atividades como rafting e tirolesa. No rafting, por exemplo, era necessário pensar em uma cadeira capaz de oferecer suporte ao praticante dentro do bote e em soluções de segurança adequadas à atividade. Para pessoas com tetraplegia praticarem tirolesa, foi necessário desenvolver um equipamento que proporcionasse sustentação adequada durante todo o percurso.

Não havia simplesmente um modelo pronto para copiar.

Era preciso testar, aprender, adaptar e criar.

Piscina com rampa e carrinhos flutuante do Hotel Fazenda Terra dos Sonhos – Foto do acervo da Rede dos Sonhos.

O projeto foi concluído em 2007 e seus resultados foram submetidos ao Ministério do Turismo, que posteriormente publicou materiais destinados a compartilhar o conhecimento adquirido e permitir que as experiências desenvolvidas pudessem contribuir com outros empreendimentos e destinos brasileiros.

O trabalho realizado naquele período ajudou também a transformar Socorro em referência no tema. O sucesso do projeto Aventureiros Especiais levou a uma nova etapa, chamada Socorro Acessível, ampliando a discussão da acessibilidade para o próprio destino turístico, incluindo espaços e serviços utilizados pelos visitantes. Entre 2007 e 2008, segundo o histórico mantido pela Rede dos Sonhos, o Ministério do Turismo investiu R$ 1,73 milhão em infraestrutura turística e qualificação profissional no município.

Campo dos Sonhos e Parque dos Sonhos também se tornaram as primeiras empresas brasileiras certificadas pela ABNT em acessibilidade em edificações hoteleiras, segundo o histórico institucional da Rede.

A partir daí, a acessibilidade deixou definitivamente de ser tratada como uma adaptação isolada e passou a integrar a própria maneira como a Rede dos Sonhos desenvolve o turismo.

Essa diferença é fundamental.

Uma pessoa não viaja simplesmente para entrar em um hotel.

Rapel Acessível do Parque dos Sonhos – Foto do acervo da Rede dos Sonhos.

Ela viaja para viver.

Quer aproveitar a natureza, participar das atividades, experimentar a gastronomia, conhecer lugares, entrar em uma piscina, passear com sua família e, no caso dos hotéis da Rede dos Sonhos, também sentir a emoção proporcionada pelo turismo de aventura.

Por isso, tornar a hospedagem acessível é apenas uma parte do desafio. É preciso trabalhar para tornar acessível também aquilo que faz a viagem ser lembrada.

Hoje, diferentes experiências oferecidas pela Rede incorporam essa filosofia. O próprio catálogo de atividades apresenta opções acessíveis e experiências adaptadas. A Tirolesa do Pânico, no Parque dos Sonhos, por exemplo, foi adaptada para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e fez parte das oficinas técnicas do projeto Aventureiros Especiais. Outras experiências, como passeio de trator, boia cross e atividades desenvolvidas nas diferentes unidades, também carregam os conceitos de acessibilidade construídos ao longo dessa trajetória.

Tirolesa dupla do Parque dos Sonhos – Foto do acervo da Rede dos Sonhos.

O conhecimento desenvolvido em Socorro ultrapassou inclusive os limites dos hotéis. Material atualmente disponibilizado pelo Ministério do Turismo sobre turismo de aventura adaptado utiliza a Rede dos Sonhos como fonte ao tratar de práticas de acessibilidade em atividades de aventura, mostrando como experiências desenvolvidas no destino passaram a contribuir para a discussão do tema no setor turístico brasileiro.

É justamente isso que torna o reconhecimento recebido em 2026 tão simbólico.

Mais de vinte anos depois do início desse trabalho, a Rede dos Sonhos volta a ser reconhecida por aquilo que ajudou a construir: um turismo no qual acessibilidade não significa apenas permitir a entrada de uma pessoa em determinado espaço, mas criar condições para que ela efetivamente participe da experiência.

As imagens da cerimônia ajudam a contar essa história.

Diretores da Rede dos Sonhos com a Monica Samia Secretária executiva da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo e equipe

Enquanto representantes da Rede recebiam o reconhecimento, uma das experiências inclusivas realizadas nos hotéis era apresentada no grande telão do evento. A imagem de uma pessoa com deficiência participando de uma atividade de aventura resume, talvez melhor do que qualquer discurso, o significado dessa conquista.

A pessoa não está apenas presente.

Ela está participando.

Está se divertindo.

Está vivendo a experiência.

Esse princípio continua orientando os investimentos e projetos da Rede dos Sonhos. Atualmente, o Instituto Rede dos Sonhos mantém o turismo acessível entre seus principais pilares de atuação, apoiando iniciativas relacionadas a trilhas adaptadas, atividades de aventura acessíveis, inclusão de pessoas com deficiência no turismo rural e no ecoturismo, além de ações de sensibilização e treinamento de equipes e da comunidade.

Cadeirinha adaptada para trilha – Foto do acervo da Rede dos Sonhos.

A acessibilidade também caminha junto a outro princípio essencial para atividades de aventura: segurança.

Em 2026, as cinco unidades da Rede dos Sonhos, Campo dos Sonhos, Parque dos Sonhos, Terra dos Sonhos, Colina dos Sonhos e Portal dos Sonhos, conquistaram certificação no sistema de gestão da segurança do turismo de aventura, reforçando a padronização de procedimentos e a gestão de riscos em toda a Rede.

Essa combinação entre inclusão, inovação e segurança ajuda a explicar por que o reconhecimento recebido agora possui um significado tão especial.

Não se trata de uma iniciativa criada para uma premiação.

Trata-se de uma trajetória.

Uma trajetória construída com pesquisa, desenvolvimento de equipamentos, treinamento, investimento, participação em projetos, colaboração com instituições públicas e, principalmente, milhares de experiências vividas ao longo dos anos.

Ao reconhecer a Rede dos Sonhos entre as 15 principais boas práticas de Turismo Inclusivo do Estado de São Paulo, o projeto desenvolvido pelo Governo de São Paulo e pela USP também reforça uma ideia que a Rede defende há mais de duas décadas: acessibilidade deve fazer parte da qualidade da experiência turística.

O próprio certificado entregue à Rede registra o reconhecimento como uma Boa Prática de Turismo Inclusivo e destaca a promoção da acessibilidade, da inclusão e da garantia de direitos para todas as pessoas.

Em 2026, essa história ganha mais um capítulo.

José Fernandes Franco Diretor da Rede dos Sonhos recebendo certificado de Boas Práticas durante a premiação no evento.

Entre 308 iniciativas mapeadas em todo o Estado de São Paulo, 70 selecionadas para a etapa final e apenas 15 reconhecidas, a Rede dos Sonhos está entre elas.

Para quem acompanha essa trajetória desde o início, o reconhecimento representa a confirmação de que todo o trabalho iniciado há mais de vinte anos continua atual e necessário.

Para quem está conhecendo essa história agora, fica um convite para compreender a acessibilidade por uma perspectiva diferente.

Não apenas como estrutura.

Não apenas como obrigação.

Mas como liberdade para viajar, descobrir, se divertir, se aventurar e criar memórias.

Porque quando falamos em turismo para todos, o mais importante não é simplesmente garantir que todos possam chegar.

É trabalhar para que todos possam viver a experiência.

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